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Mulheres ampliam presença nos investimentos e impulsionam redes de formação patrimonial

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O número de mulheres que investem em renda variável no Brasil segue em expansão e revela mudanças estruturais na relação feminina com o dinheiro. Em 2025, segundo dados divulgados pela B3, 54.963 novas investidoras passaram a aplicar em produtos de renda variável, crescimento de 3,98% em relação ao ano anterior. Desde 2021, a alta acumulada chega a 41%. Atualmente, elas representam 26% dos 5,5 milhões de investidores registrados no mercado acionário brasileiro.

Apesar de ainda serem minoria em volume, os dados indicam um comportamento financeiro distinto. O valor médio investido por mulheres alcança R$ 3.029, enquanto entre os homens é de R$ 1.682. A diferença é associada, sobretudo, a estratégias mais cautelosas e diversificadas.

O crescimento é nacional. São Paulo lidera em número absoluto de novas investidoras, com 17.768 entradas no período mais recente, seguido por Rio de Janeiro e Minas Gerais. Já os maiores avanços percentuais foram registrados em Tocantins, Amapá e Ceará, todos com expansão superior a 6%.

Autonomia financeira e mudança cultural

Especialistas apontam que o avanço não se explica apenas pelo maior acesso a plataformas digitais ou pela diversificação de produtos financeiros. Há um componente cultural relevante: a busca por autonomia econômica, planejamento de longo prazo e participação direta nas decisões patrimoniais.

Para Michelle Vilarinho, vice-presidente da Via Direta Consultoria, especialista em crescimento patrimonial, mentora, palestrante e coautora do best-seller “Viver ou Impactar?”, o movimento produz efeitos que ultrapassam a esfera individual. “Quando uma mulher domina seu patrimônio, ela altera o destino de toda a geração que vem depois. A mulher não apenas investe; ela governa seus recursos, suas escolhas e seu patrimônio com estratégia e intenção. Ela deixa de terceirizar decisões importantes”, afirma.

Com mais de 25 anos de experiência à frente de negócios nos segmentos B2C e B2B, Michelle dedica-se hoje a ajudar mulheres a construírem patrimônio com propósito e liberdade, transformando resultados em legado. Segundo a executiva, que também é idealizadora do Altera Club, iniciativa voltada a reunir mulheres em mentorias, comunidade e networking para discutir dinheiro e construção patrimonial, o fortalecimento de espaços estruturados de formação e troca tem papel decisivo na consolidação da autonomia financeira feminina. “Ao longo da minha trajetória liderando empresas, percebi que resultado financeiro sem direção não constrói legado. 

Altera Club e a consolidação desse movimento

O Altera nasce justamente para apoiar mulheres a tomarem decisões patrimoniais com consciência, estratégia e liberdade, não apenas para ganhar dinheiro, mas para transformá-lo em segurança, independência e impacto nas próximas gerações”, afirma.

O projeto foi lançado oficialmente durante o Altera Club Experience, evento que marcou a estreia do clube e reuniu palestras, painéis e momentos de networking. Conduzido por Michelle, o encontro contou com a participação de especialistas como Fabiana Zaidan, Ingrid Barth e Júlio Pereira, com apoio da NeoGrid. A programação integrou reflexões sobre mentalidade, identidade e decisões patrimoniais à apresentação do propósito e da proposta do Altera, encerrando com um happy hour voltado à conexão entre as participantes.

Formação, comportamento e decisão financeira

Na esteira desse movimento, surgem iniciativas voltadas à formação patrimonial feminina que combinam educação financeira, comportamento e redes de relacionamento. Entre elas está o Altera Club, comunidade estruturada para reunir mulheres interessadas em ampliar conhecimento econômico e assumir maior protagonismo sobre seus investimentos.

A proposta parte de um diagnóstico recorrente em estudos sobre comportamento financeiro e inclusão no mercado de capitais. Levantamento da ANBIMA sobre hábitos de investimento indica que, embora a principal barreira declarada entre mulheres que não investiram em 2024 esteja associada à restrição orçamentária, uma parcela aponta a falta de conhecimento ou de informações suficientes sobre produtos financeiros como fator impeditivo. O dado reforça que, para além da renda disponível, o acesso à educação financeira e à compreensão técnica dos instrumentos de investimento permanece como dimensão relevante para ampliar a participação feminina no mercado de capitais.

Autonomia financeira e mudança cultural

Dados do Raio X do Investidor Brasileiro mostram ainda que mulheres tendem a valorizar a troca de experiências antes de tomar decisões financeiras. O aconselhamento com amigos e parentes aparece como uma das principais referências, evidenciando a importância da confiança e da validação em círculos próximos. Na sequência, destaca-se a preferência por conversas presenciais com gerentes ou especialistas de instituições financeiras, opção mencionada por parcela expressiva das investidoras e em proporção superior à observada entre homens.

Nesse contexto, a criação de ambientes exclusivamente femininos também surge como elemento relevante. A valorização do diálogo e da escuta qualificada indica que espaços estruturados de troca entre pares podem fortalecer a confiança, ampliar repertório e apoiar a tomada de decisão, sobretudo em um mercado historicamente masculinizado.

Formação patrimonial e redes femininas

Para a empresária Sheila Padovam, a possibilidade de discutir dinheiro em um ambiente exclusivamente feminino contribui para acelerar decisões patrimoniais. “As mulheres que querem prosperar precisam estar no Altera. É um ambiente em que podemos falar sobre dinheiro sem limitações, sem crenças ou impedimentos. No Altera, você constrói patrimônio e aprende a fazer a gestão dele de forma estratégica e consciente”, afirma.

A construção da autonomia financeira também passa por um processo de autoconhecimento. Para a consultora e palestrante Fabiana Grimaldi Zaidan, a relação com o dinheiro reflete a forma como cada mulher se posiciona no mundo. “Toda mulher que quer ter autonomia com seus recursos financeiros precisa passar por uma revisão sobre a própria identidade. É preciso buscar a autenticidade para sustentar uma identidade capaz de exercer autoralidade. Quem quer prosperar precisa se perguntar: quem sou eu quando estou investindo? Quem sou eu quando estou cobrando, comprando ou negociando? Essas respostas tornam nossas decisões mais assertivas e fortalecem a forma como nos colocamos no mercado”, analisa.

Mentoria, comunidade e networking

Além do conteúdo técnico, o clube também atua como um espaço estruturado de conexão profissional e geração de oportunidades. O intercâmbio entre mulheres de diferentes setores amplia repertório, fortalece parcerias e pode resultar em novos negócios. “A experiência foi muito enriquecedora, porque reúne mulheres de diferentes áreas, com mentalidades diversas. Esse networking foi transformador para mim. Saio com uma bagagem valiosa, novos contratos e, dentro da minha área de atuação, foi um divisor de águas. Tive várias ideias a partir dessas conexões”, relata Camila Goya.

O avanço simultâneo dos indicadores de mercado e das redes de formação indica que a presença feminina nas finanças entra em uma etapa mais estruturada, marcada pela consolidação da autonomia patrimonial e pelo protagonismo nas decisões econômicas. “Não se trata apenas de ensinar onde investir, mas de formar mulheres que assumam o controle das decisões sobre patrimônio, legado e independência econômica. Quando elas entendem o próprio poder de decisão, deixam de ser espectadoras do mercado e passam a ocupar um papel ativo na construção da própria riqueza”, conclui Michelle Vilarinho.